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Transformação digital e as oportunidades para a comunicação

maio 2021 | Adaptação, Carreira, Comunicação, Criatividade, Inovação, Oportunidade, Tecnologia, Tendência, Trabalho

O estudo Transformação Digital no Brasil foi produzido  pela consultoria McKinsey com dados de 124 empresas em vários setores para observar como cada uma delas aciona o que a consultoria chama de alavancas-chave de valor: modelo de negócio, conectividade, processos e analytics. Ainda, como associam essas alavancas a um conjunto de práticas. As dimensões de estratégia, capacidades, organização e cultura evidenciam os impactos da transformação digital nas empresas e as oportunidades para a comunicação.

No entanto, é importante dizer que o relatório não é novo e não faz menção direta à comunicação. No entanto, é o mais atual e, por isso, listei neste artigo os pontos que chamaram a minha atenção. Ainda, o que significam de desafio para negócios de todos os tamanhos e áreas de atuação quando o assunto é comunicação.

Significa que são pontos de atenção para todo mundo que atua na área. Acrescentando, que devem ser levados em conta nas estratégias e discutidos com as demais áreas das organizações. Vamos a eles?

Os impactos da transformação digital nas empresas e as oportunidades para a comunicação

Quatro dimensões e 22 práticas de analytics e digital. FONTE: estudo Transformações Digitais no Brasil, McKinsey & Company, p. 5

 

Cultura é a barreira #1

A transformação digital demanda uma nova cultura para a organização. A todo momento no estudo, a cultura organizacional é citada como muito importante para suporte aos processos de transformação digital nas empresas. Fica evidente que, nesse processo, há oportunidades para a comunicação.

Nesse sentido, a cultura é citada como a barreira número 1 pelos executivos participantes da pesquisa. Dentre as práticas descobertas como críticas, estão:

  • Agilidade – ritmo de tomada de decisão.
  • Teste e aprendizado – necessidade de estrutura processos e sistemas para promoção desses métodos.
  • Experimentação – conforto para a exposição aos riscos controlados em iniciativas de digital e analytics.
  • Colaboração interna – equipes multifuncionais, comprometidas e colaborativas.
  • Mentalidade baseada em dados – cultura de tomada de decisão baseada em dados.
  • Orientação externa – entendimento do mercado e capacidade de buscar soluções externas para promoção da capacidade em digital e analytics, ou para atividades não essenciais.

Se olhamos para os desafios, fica claro que a comunicação tem um papel central para mobilizar as pessoas nos projetos de transformação cultural.

As oportunidades vão muito além das já executadas por meio da comunicação e do engajamento interno.

 

Dimensão de capacidades evidencia a importância das jornadas

Em relação ao que já foi dito até aqui, as oportunidades para a comunicação passam pelas jornadas.

Calma que não vamos falar das jornadas da Lumena!

 

Calma, estamos falando das jornadas dos clientes. Sobre elas, o relatório traz a todo momento a necessidade de melhoria de experiências. Para isto, aponta para a utilidade de que as jornadas sejam desenvolvidas em conjunto com os clientes. Para a comunicação, significa dizer que da mesma forma que já tem muita gente boa rodando rotinas de cocriação com públicos diversos, dentre eles, os funcionários, essas práticas parecem se consolidar.

Por isso, ainda que só os clientes recebam atenção no estudo, é evidente a riqueza de ideias para inspiração. Entre eles, a oportunidade de participação ativa dos funcionários nos processos e estratégias de comunicação. Isto inclui o desenho de novas jornadas para eles próprios e, por que não, para outros públicos.

Em outras palavras, melhorar a experiência das pessoas pode ajudar a transformar culturas. Assim, os impactos da transformação digital e oportunidades para a comunicação andam lado a lado.

 

Estratégia em múltiplas dimensões

Sobre este tópico, a estratégia, o estudo reforça que digital e analytics não devem ser uma estratégia em si. Por outro lado, devem se articular de forma transversal à estratégia da empresa e às diferentes dimensões do negócio para geração de valor.

Por isso, as tendências em data brand experience, ou experiência de marca orientada por dados, endossam o quanto temos que investir cada vez mais nas nossas habilidades de humanidades digitais.

Isto porque da mesma forma que a comunicação vem evoluindo para a interdependência de um ecossistema, os indicadores igualmente estão.

Dessa forma, o analytics será (ou já está sendo) o idioma capaz de fazer conversar na mesma mesa afetos, interações, ações… para não somente mensurar a experiência, como gerar aprendizado para as marcas. Vale ler mais sobre isso neste artigo do Meio & Mensagem.

Por tudo isso, para além dos indicadores, as estratégias de comunicação deverão estar orientadas para as jornadas dos públicos de relacionamento, e não limitadas ao core business da organização.

 

Organização sem fronteiras

Nesta dimensão, o estudo descobriu que as empresas que já apresentam maturidade de transformação digital não diferenciam mais o velho do novo, o digital do tradicional. Por isso, achei uma pena o estudo não divulgar as empresas participantes.

Isto porque fiquei curiosíssima em traçar um paralelo entre a maturidade de transformação digital e oportunidades para a comunicação nas respectivas marcas. Acima de tudo, seria bastante interessante ver se — e como — a não diferenciação entre novo e velho, on e off-line, se reflete na comunicação.

Nesse sentido, a tendência é a de uma comunicação cada vez mias inter e transdisciplinar. Esta se caracteriza pela completa reformulação das estruturas, que ainda operam engessadas em áreas e muitas instâncias de tomada de decisão.

Por isso, uma operação horizontal, com processos ágeis, torna a comunicação ajustada ao ecossistema midiático atual. Ou seja: uma operação orgânica entre demandas da organização e da sociedade.

Ainda nesta dimensão, o estudo fala sobre governança. É por meio dela que a gestão se fará mais unida, menos fragmentada, com as altas lideranças assumindo a responsabilidade. Para isto, precisam ter conhecimento de digital e estar diretamente envolvidas na transformação. Dessa forma, apoiariam a mentalidade de promoção de mudanças.

 

Capacitação é urgente

Por último, mas não menos importante, falta capacitação. Este componente requer ação imediata das equipes de desenvolvimento organizacional. Elas devem começar por se capacitar para essas habilidades e competências para, então, apoiar o desenvolvimento das demais áreas de negócio.

Gostemos ou não, a transformação digital está em curso e as empresas precisam avançar nos índices de maturidade digital caso queiram se manter ativas e competitivas.

A nós, profissionais, cabe atentar para essa realidade, pois significa transformações estruturais na maneira como desempenhamos nossas funções.

Neste artigo, trouxe a discussão para o campo da comunicação. Se te ocorreu mais algum insight, divide aqui comigo para a gente ampliar o olhar.

 

Por Cecília Seabra

Por Cecília Seabra

Jornalista, consultora, mentora, pesquisadora, docente e apaixonada pela Comunicação. Mãe de gente e mãe de bicho. Atuo há 21 anos na área, com experiência que é resultado de passagem por todos os cargos e funções em agência, gerenciamento de crises, além de coordenação e gestão de comunicação e sustentabilidade em marcas líderes nos seus segmentos.

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