Blog da Ceci

Discussões sobre tendências, carreira e trabalho em Comunicação, para pensar e discutir

Estratégia (por favor, não sigam pensando no diálogo de Tropa de Elite). O significado dessa palavra ainda tem sido negligenciado quando o assunto é comunicação.

Tenho visto com muita frequência instituições contratarem fornecedores e prestadores de serviços na área para, em seguida, se queixarem de que os resultados não estão satisfatórios. Sempre pergunto: em que medida não estão satisfatórios? E a resposta vem em variações de que podia render mais. OK, quase sempre pode render mais mesmo! Mas como quantificar e qualificar o que é esse mais? E aí é que vem a questão, pois as empresas têm estratégia de negócios, mas muitas vezes falham ao conectar a comunicação a ela.

Nesse processo, as áreas de comunicação sofrem. E muito. Porque trabalham sob demanda, sempre devendo, e não a partir de uma estratégia, que, havendo, pode ser comunicada e compartilhada com todas as demais áreas, num processo em que todos os colaboradores são parte da comunicação. Proximidade, relacionamento, alteridade e empatia ajudam no entendimento de que é preciso ter foco, comunicar o que é importante, não o que é demandado, compreendendo o que é preciso fazer para transformar o que é importante para uma determinada área comunicar em algo que agregue valor também para a comunicação institucional. Imagens e reputação passam a reforçar a identidade institucional. Todo mundo ganha (sem falar no bem-estar dos colaboradores…).

Sou do tempo que humanas e exatas eram coisas distantes, que resultado era coisa para área comercial, que o cliente sempre tinha razão e que faça o que eu digo, não o que eu faço, era algo possível no mundo corporativo. O mundo mudou, e rápido. Humanas e exatas hoje devem andar de mãos dadas. Comunicação sem resultado nunca será vista como investimento. Resultado nunca será bom se não for buscado com base numa estratégia comum ao que é estratégico para a instituição. Cliente nem sempre tem razão. Você quase nunca é o público (não nos esqueçamos que as empresas como um todo, e as áreas de comunicação, sofrem de uma falta de diversidade terrível, que leva a erros que poderiam ser evitados se fosse possível avaliar as ideias e projetos por diferentes óticas…). A coerência cedo ou tarde cobra a conta via alguma crise.

Nem as melhores empresas e profissionais de comunicação são capazes de trazer resultados satisfatórios se os gestores não souberem qual é o plano — e confiarem nos prestadores como parte da equipe. Parceria, confiança, simplicidade. Ingredientes que andam difíceis de perceber no macro, mas que podemos construir em casa.

Por Cecília Seabra

Por Cecília Seabra

Jornalista, consultora, mentora, pesquisadora, docente e apaixonada pela Comunicação. Mãe de gente e mãe de bicho. Atuo há 21 anos na área, com experiência que é resultado de passagem por todos os cargos e funções em agência, gerenciamento de crises, além de coordenação e gestão de comunicação e sustentabilidade em marcas líderes nos seus segmentos.

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