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Quando nasce um filho

jun 2022 | Sem categoria

Não dá para precisar direito quando começa a nascer um filho. O que eu sei é que, de repente, tem mais gente no mundo. A todo momento entra gente nova no mundo.

As explicações são inúmeras: tem gente que acha que é a partir do egoísmo de querer fazer uma pessoa para si. Para chamar de seu. Tem gente que acha que é a lei natural das coisas, nascer, crescer, se reproduzir e morrer. Outros, que é uma doação, um ato de multiplicação de amor e dedicação. Ou, quem sabe?, o desejo de alguém que quer voltar à vida mundana, e que faz isto via barriga de alguém.

Qualquer que seja a verdade de cada um, não dá para precisar quando começa a nascer um filho.

O fato é que eles nascem. Da gente ou para a gente.

E despejam nas nossas vidas um caminhão de coisas. Jogam a gente num turbilhão. De repente, deixamos de ser filhos, somos pais. A perspectiva de ver o mundo com olhos de pais. E como é diferente! Nossos nãos, sins, valores, medos, dores… Testam absolutamente tudo. Aí vêm os por quês. E precisamos reativar a rota passado-presente e dar conta de percorrê-la no menor tempo possível para poder ir lá atrás buscar todas as respostas. Reviver nosso lado criança, que fica chumbado entre moldes e amarras que vão fazendo de nós pessoas adultas. Resgatar a criatividade sem filtro que permite responder por que vampiro brilha no escuro sem se sentir um viajante sideral.

Sem sono, sem comida, sem espelho, sem ir ao banheiro sozinha, tomando banho correndo, com a raiz dos cabelos por pintar, sem tempo (o que é isto mesmo?)…

Sem quase nada daquilo que, antes da chegada deles, era tema de papos do tipo nossa, não sei como fulana consegue!

E o melhor de tudo é que achamos ótimo! Porque qualquer que seja a explicação eu tenho certeza de que eles vêm ao mundo para fazerem de nós pessoas melhores. A cada dia. A cada culpa pelo tempo que não estamos com eles. A cada momento em que olhamos nos olhos deles e pensamos que somos as pessoas mais abençoadas do mundo. Que achamos que vamos explodir de amor quando ouvimos um mamãe/papai, eu te amo. 

Já consultei minha mãe — sim, depois de me tornar uma eu passei a escutar a minha com mais atenção — para saber se muda com o tempo, na medida em que eles crescem, ganham barba no rosto, cabelo no sovaco, chulé, cecê, falam que a gente tá viajando…

A resposta foi não.

Eu bem que desconfiava, e achei o máximo a confirmação.

Porque como está nos meus planos morrer bem velhinha, eu quero mais é que durante todo esse tempo eu morra de amar todos os dias.

Rio, 11/10/2013

Por Cecília Seabra

Por Cecília Seabra

Jornalista, consultora, mentora, pesquisadora, docente e apaixonada pela Comunicação. Mãe de gente e mãe de bicho. Atuo há 21 anos na área, com experiência que é resultado de passagem por todos os cargos e funções em agência, gerenciamento de crises, além de coordenação e gestão de comunicação e sustentabilidade em marcas líderes nos seus segmentos.

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