Blog da Ceci

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Política na pauta do dia

out 2018 | Comunicação, Inovação, Marketing, Mídias, Oportunidade, Tendência

Há algumas semanas, vem a Nike, com Colin Kaeppernick, e coloca a política na pauta do dia das marcas. No último domingo, Burger King e o Whopper em branco animou a discussão em terras verde e amarelas.

Para quem está no dia a dia de uma marca, fazer parte de ações com propósito maior do que o de negócios é um alívio no ambiente de pressão em que vivem publicitários, jornalistas, comunicadores corporativos e afins (na realidade em que vive qualquer pessoa com boletos para pagar no fim do mês). Ricardo Fort, vice-presidente global de patrocínios e eventos da Coca-Cola fala sobre isso em um artigo publicado ontem no Meio & Mensagem, pontuando também em sua análise um possível erro de leitura: “Acharam que o problema era racial, quando na verdade era uma questão patriótica”, disse. Ao ler, me veio imediatamente à cabeça uma das reflexões sobre ótica do observador e de observação, e também sobre lugar, trazidas pelo mais recente livro de Georges Didi-Hubberman, Cascas (Editora 34, 2017)que li como parte do meu projeto de pesquisa sobre o lugar do comunicador. O campo de futebol enquanto lugar de protesto, o hino americano enquanto símbolo da pátria, o ato de ajoelhar enquanto lugar de resistência. A ação da Nike observada por quem está dentro da marca. E por quem está fora. No caso Nike, a abordagem foi decidida para tomar partido de um dos lados.

Já o Burguer King aproveitou a oportunidade para fazer parte das conversas já estabelecidas, escolhendo um tema em alguma medida neutro e aparentemente capaz de sobreviver à agressividades de nós VS eles. A ação Whopper em branco lembra aos gestores de marcas e comunicação que (opiniões a parte), dá para entrar na pauta com contribuições relevantes, sem virar marisco entre a onda e o rochedo que representam a polarização #elesim VS #elenão #elenunca #ofilhodeletambémnão. E é impossível não ter em mente Cultura da Conexão, de Henry Jenkings, Sam Ford e Joshua Green, sequência de Cultura da Convergência, que aprofunda as tendências e fala, dentre muitas outras coisas, sobre a necessidade de que as marcas de fato ouçam o mundo lá fora, em vez da atual escuta da audiência, e entendam que devem ser capazes de entrar nas conversas já estabelecidas, e não sigam tentando impor assuntos de seu interesse.

Pessoalmente, vibrei com a campanha da Nike. Mas a do Burguer King é uma sinfonia, pela forma, conteúdo e pelo tanto que tangibiliza tendências. Daquelas que dá até uma certa invejinha (branca) de quem estava lá virando noite para ficar tudo nos conformes, dentro do famigerado dead line.

Quer se aprofundar no por quê, como e o quê? O Meio & Mensagem traz uma boa cobertura, assinada por Luiz Gustavo Pacete. Nessa matéria, os riscos do marketing de oportunidade. Já nessa entrevistaAriel Grunkraut, diretor de vendas e marketing do BK Brasil, fala sobre o que levou a marca à campanha. Divirtam-se!

Por Cecília Seabra

Por Cecília Seabra

Jornalista, consultora, mentora, pesquisadora, docente e apaixonada pela Comunicação. Mãe de gente e mãe de bicho. Atuo há 21 anos na área, com experiência que é resultado de passagem por todos os cargos e funções em agência, gerenciamento de crises, além de coordenação e gestão de comunicação e sustentabilidade em marcas líderes nos seus segmentos.

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