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Observação, diálogo e espírito de comunidade

nov 2018 | Adaptação, Comunicação, Educação, Inovação, Tendência

Professor José Pacheco fala sobre inovação em pedagogia – e o que isso nos diz sobre desafios em comunicação

29 de outubro de 2018, day after ressaqueado do segundo turno das eleições majoritárias mais polarizadas e violentas desde a redemocratização (oxalá esse aposto não passe a ser recorrente). Um portuguezinho, como ele mesmo se define, entra em sala para pouco mais de 15 pessoas que o aguardam presencialmente, mais de 1.300 on-line, todos professores ou gestores de escolas matriculados na especialização A moderna educação, ofertada pela PUC-RS – a exceção a esta que vos escreve, que assistia às aulas como convidada. Estamos diante de José Pacheco, criador da Escola da Ponte e uma das maiores referências globais quando o assunto é pedagogia inovadora.

“Sobre o que vocês querem saber?”, pergunta, causando desconforto em todos que estávamos à espera de uma aula (que ele rapidamente diz que não é o melhor caminho). Poucos minutos depois, estava dada a largada para uma experiência incômoda e ao mesmo tempo renovadora de esperanças. E que, principalmente, diz não somente sobre escolas, alunos e espaços de aprendizagem, mas também sobre os desafios enfrentados por quem lida NA e COM comunicação. E foi por isso que, em meio aos assuntos referentes ao trabalho de habilidades e competências na escola, tema de suas aulas, o Prof. Pacheco concedeu uma exclusiva a este Blog, na qual falou sobre o paradigma da comunicação e a necessidade de construção de espírito de comunidade como prioridade no momento atual.

Em vez de PARA, COM

“Trata-se de um divórcio da pedagogia dos projetos, na qual o professor prepara projetos PARA os alunos, para entrada na metodologia de trabalho por projetos, que surgem na tripla dimensão curricular, podendo partir de uma necessidade pessoal, social ou até universal, que é construída COM o outro”, explica, referindo-se à principal diferença entre o paradigma da instrução e o da comunicação. NOTA: só eu penso em tendências da comunicação, como mídia propagável, construção de conversas, empatia etc.?

Neste sentido, o Professor destaca a necessidade de resgate do conceito de autonomia. “Eu existo porque o outro existe. Minha liberdade começa onde começa a sua, e não onde termina a sua… Não posso ser livre se você não é! Isto é autonomia, e muitas vezes vemos a confusão desse conceito com individualismo…”, alerta. Ele também frisa a necessidade de a aprendizagem ser socializadora, ou seja, de o conhecimento refletir-se no desenvolvimento sustentável da comunidade. Questionado sobre como trabalhar em direção à educação em pauta nas suas aulas em meio a questões como a votação do projeto de lei do senado nº 193 de 2016, que inclui entre as diretrizes e bases da educação nacional, de que trata a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, o “Programa Escola sem Partido”, então agendada para o dia seguinte (a votação foi adiada e até essa postagem não havia acontecido), José Pacheco é taxativo: “Considerar que a escola não tem ideologia é errado. A forma de escola que eles imaginam tem ideologia – uma ideologia de extrema direita, se formos falar em aspectos político-partidários. Escola sem partido é impossível.”, afirma.

Pergunto ao Professor se ele, pela sua história e experiência, poderia deixar um conselho para todos nós, que estamos em sala de aula e no dia a dia das relações humanas. Generoso, ele diz que “estamos num período crítico, e aquilo que nos compete é estarmos atentos, observar, dialogar e construir espírito de comunidade”. Saí da sala me perguntando se estou fazendo tudo o que está ao meu alcance na construção do espírito de comunidade e como transpor isso tudo para dinâmicas de marcas e públicos de relacionamento. Afinal, períodos críticos assim são para todos, e transpor o paradigma da comunicação do ambiente da aprendizagem para o das relações humanas deve estar na pauta do dia.

Para saber mais:

Por Cecília Seabra

Por Cecília Seabra

Jornalista, consultora, mentora, pesquisadora, docente e apaixonada pela Comunicação. Mãe de gente e mãe de bicho. Atuo há 21 anos na área, com experiência que é resultado de passagem por todos os cargos e funções em agência, gerenciamento de crises, além de coordenação e gestão de comunicação e sustentabilidade em marcas líderes nos seus segmentos.

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