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Qual é o custo de não fazer o óbvio quando o assunto é comunicação

ago 2021 | Comunicação, Criatividade, Estratégia, Gestão, Imagem, Inovação, Oportunidade, Reputação, Trabalho

Um dia, ao responder o questionamento de uma pessoa sobre comunicação com funcionários, ouvi a seguinte frase: ah, mas isso é muito óbvio. A pessoa me disse que pensou que eu ia falar alguma coisa “diferente”. E minha resposta era óbvia mesmo. E o que eu queria era exatamente chamar atenção para qual é o custo de não fazer o óbvio quando o assunto é comunicação.

Acontece que a queixa da pessoa era sobre a empresa na qual trabalhava não conseguir melhorar a sua comunicação. Ou seja: se minha resposta era óbvia, por que então não é algo feito por todos? Por que ainda batemos cabeça com processos complicados quando há um mar de obviedades ainda não cuidadas?

Vocês sabem que me incomoda bastante assistir o quanto as organizações e o próprio setor recorre a ideias mirabolantes, planos infalíveis e um monte de coisas. Estas, muitas vezes são tão conhecidas como nossos cabelos brancos, disfarçadas de tendências disruptivas.

Nesse processo, o que acontece é que muitas vezes as empresas trocam seis por meia dúzia e a raiz do problema segue lá, sorrindo e acenando para pessoas perplexas.

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Quando o assunto é comunicação

Podemos afirmar que não fazer o óbvio custa consistência e coerência sem precisar mergulhar no dia a dia de uma organização e seus relacionamentos e impactos. Para a comunicação, para a imagem da marca, para sua reputação, para seus relacionamentos…

Certamente custa.

Partindo dessa premissa, vou propor um exercício para tangibilizar qual é o custo de não fazer o óbvio quando o assunto é comunicação.

Que tal tomar como exemplo uma prática que é reclamação dia sim, outro também, em tudo o que é rede social? Estou falando da falta de retorno dos erragás sobre os processos seletivos.

Um óbvio para chamar de seu

Vamos isolar nosso exemplo nesse ponto de contato: o retorno a um candidato não aprovado em processo seletivo. Para isto, estamos partindo da premissa de que o candidato/a/e aprovado/a/e foi contatado, pois será contratado (olha só a diferença que um “r” faz na vida da pessoa).

Assim, imaginando que a empresa que fez o processo seletivo usa uma das 10394756430 plataformas de vagas, ou consultorias de recrutamento e seleção, certamente há pelo menos duas formas de esse retorno acontecer:

  • Disparo automático da própria plataforma, caso haja esse parâmetro, ou da consultoria contratada.
  • Por e-mail, mensagem, carta impressa, disparado por um profissional do RH responsável pelo recrutamento e seleção.

Qual seria o custo de uma e outra alternativa? Certamente há. No entanto, pode perfeitamente ser diluído no dia a dia de custos da área, sem necessidade de orçamento ou verba extra.

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Qual é o custo de não fazer o óbvio quando o assunto é comunicação

Agora que já temos um óbvio para chamar de nosso e sabemos que podemos afirmar que a consistência e a coerência na comunicação estarão comprometidas, vamos exercitar algumas possibilidade de custo:

  • Você realmente vai acreditar no discurso bonito de preocupação com as pessoas se a empresa é incapaz de te dizer se segue na esperança de ser contratado ou vira a página?
  • Vai acreditar no discurso de preocupação com a sociedade sem pensar “pode até ser, mas fiz um processo seletivo lá e sequer me deram um retorno…”?
  • E o que dizer do discurso de diversidade e inclusão se você é negre, LGBTQIAP+, 50+ ou tem alguma deficiência…? Será que não ficará nenhuma pontinha de desconfiança de que a sua eliminação pode estar relacionada a preconceitos estruturais?

Neste caso, uma obviedade não feita está pondo em xeque investimento real em marca, imagem, reputação e outras cositas más. Taí um exemplo de custo.

Soluções óbvias?

No contexto do exemplo exercitado, vocês acham óbvio dizer que uma rápida revisão de processo, que considere a visão do candidato, e não a da pessoa já contratada, que trabalha no RH, poderia resolver? Seria possível enxergar essa oportunidade de melhoria — o retorno ao candidato não aprovado — e a partir daí usá-la como diferenciação?

Afinal, se a maioria das empresas não dá retornos, ou não dá retornos considerados satisfatórios pelos candidatos participantes de processos seletivos, se a organização para a qual você trabalha fizer isso poderá se destacar. Poderá passar de uma empresa que não se preocupa com as pessoas, ou que diz que se preocupa, “mas…”, para uma empresa que verdadeiramente demonstra que se preocupa com as pessoas.

Este é somente um exemplo de qual é o custo de não fazer o óbvio quando o assunto é comunicação. Ao mesmo tempo, de como é relativamente simples tomar atitudes que realmente privilegiem o que é prioridade para um público de relacionamento. Ainda, de que dá para fazer diferente, desde que haja espaço para a escuta e a empatia não como discurso, mas como práticas diárias.

E você, ao ler esse texto se lembrou de algum outro óbvio que não é feito?

 

 

 

 

Por Cecília Seabra

Por Cecília Seabra

Jornalista, consultora, mentora, pesquisadora, docente e apaixonada pela Comunicação. Mãe de gente e mãe de bicho. Atuo há 21 anos na área, com experiência que é resultado de passagem por todos os cargos e funções em agência, gerenciamento de crises, além de coordenação e gestão de comunicação e sustentabilidade em marcas líderes nos seus segmentos.

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