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O aprendizado que vem dos filhos

set 2020 | Comunicação, Divirta-se, Educação, Inovação, Oportunidade, Tendência, Universidade

Esses comigo na foto são Francisco e Inácio. Meus filhos de 12 e 11, respectivamente. Ambos estudam na mesma escola, uma das três alternativas viáveis, também dos pontos de vista financeiro e logístico em Itaipava (Petrópolis – RJ), onde vivemos na Casa da Montanha (familiar para quem frequenta também meu Facebook e Instagram). Esse texto é sobre o aprendizado que vem dos filhos.

Eles sabem que são privilegiados, pois convivem com uma diversidade de raças, classes etc., no dia a dia e na escola, que foi escolhida levando em conta também essa característica quando decidimos não morar mais no Rio. Conhecem e convivem minimanente com algum contraponto à vida que têm.

Inácio estuda com prazer, faz resumos de matérias, tem um amigo com quem se conecta e debate o que foi visto, pesquisa… ele realmente gosta. Já Francisco é o oposto. Reclama quase que diariamente da direção da escola, dos professores, do conteúdo, do dever de casa, dos horários, das aulas aos sábados, que estão acontecendo para repor os dias perdidos.

Agora vocês vão entender…

Ontem, ele enviou a mensagem que vocês veem abaixo, com o link para a matéria Em vez de ajudar, dever de casa virou um fardo aos estudantes, publicada no Desafios da Educação, do GrupoA. O assunto era pauta no grupo da turma no WhatsApp.

Coincidentemente, também ontem, na UERJ, a conferência de McLuhan em 7 de maio de 1966, na galeria de arte Kaufmann, em Nova Iorque, foi parte da aula da incrível Raquel Paiva. Um trecho: “Qual seria, pois, o futuro da educação num mundo em que as proporções de informação se inverteram? […] é possível que a função da escola também tenha se invertido, que a função da escola já não seja mais instruir, mas descobrir. E a função do estabelecimento de ensino é treinar a percepção do ambiente exterior em vez de meramente reproduzir informação e introduzi-la nos crânios dos alunos dento do ambiente.”

Todas as mães e pais e responsáveis por crianças que lerem esse post provavelmente se ocupam de dúvidas e incertezas, e do aprendizado que vem com os filhos. A essas dúvidas e incertezas uniram-se os meus incômodos como professora, como pesquisadora da comunicação, como participante da gestão da extensão universitária e como atuante em treinamento e desenvolvimento de equipes (quando vejo na prática a falta de costume com o exercício da crítica e da proposição, resultado de tantos fatores que não vai caber aqui o hiperlink. Papo para outra hora).

Meu aprendizado que vem dos filhos

Não é novidade que vimos avançando, entretanto na maioria das vezes com o olho no retrovisor, como McLuhan acredita ser nossa orientação típica. Vejo traços disso na aplicação da tecnologia como prioritária em relação ao conhecimento e à descoberta; curadorias de conteúdo descartando os docentes (esses mesmos que atualmente garantem o discurso da sincronicidade das atividades acadêmicas); cobranças por criatividade, disrupção e vários outros chavões. Constatações de que ainda temos muito a reconhecer que não sabemos, e de que devemos aproveitar o aprendizado que vem dos filhos (e das crianças, e daqueles que não estudaram tanto quanto nós, e daqueles que pensam diferente de nós…).

Meus filhos provam que não é um único caminho que será capaz de fazer com que conhecimento seja um valor num país com governantes que menosprezam a ciência, as universidades, os professores, cortam verbas da educação e se comprometem com o retrocesso. E que devemos desconfiar de fórmulas mágicas e respostas prontas.

Assim, meu dia a dia é uma eterna prototipação de metodologias de ensino-aprendizagem e de comunicação. E vou confessar: está sendo riquíssimo!

E aí, com você, como funciona?

Referência: o trecho citado foi retirado do livro McLuhan por McLuhan: conferências e palestras inéditas do profeta da globalização, Editora Ediouro, 2005, pág. 127.  Para referência à “orientação retrovisora”, ver pág. 124.  

Por Cecília Seabra

Por Cecília Seabra

Jornalista, consultora, mentora, pesquisadora, docente e apaixonada pela Comunicação. Mãe de gente e mãe de bicho. Atuo há 21 anos na área, com experiência que é resultado de passagem por todos os cargos e funções em agência, gerenciamento de crises, além de coordenação e gestão de comunicação e sustentabilidade em marcas líderes nos seus segmentos.

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