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Metaverso, 5G e a Comunicação nossa de cada dia

nov 2021 | Adaptação, Comportamento, Comunicação, Criatividade, Estratégia, Gestão, Inovação, Sem categoria, Tecnologia, Tendência

Quando achamos que já nos acostumamos com a velocidade de tropeço por meio da qual a tecnologia avança, vem aí o 5G e o metaverso. Esses foram acelerados com a pandemia e, do que já está sendo discutido, uma coisa é certa: estamos diante de novos paradigmas. Por isso, o post de hoje é o primeiro de outros que certamente virão para debater os impactos que o metaverso e o 5G representam para a comunicação nossa de cada dia.

Eles já estão entre nós

Vamos começar a conversa pelo metaverso. Não importa o quão cético você seja sobre tendências, há muito experienciamos o que são. Um exemplo? Se você é, ou conhece algum gamer, certamente já ouviu falar ou assistiu a shows, lançamento de produtos, ou consumiu algo em outras dimensões.

Ano passado, o avatar do raper Travis Scott fez um show para mais de 12 milhões de pessoas no game Fortnite. Depois, foi a vez de Alok no Freefire. Sem falar do sem número de transações de altíssimo valor envolvendo skins (do inglês pele, que é um conceito relacionado ao visual do personagem). Curiosidade: o inventário de skins do Neymar é avaliado em mais de R$ 210 mil, segundo o Globoesporte.com.

Algumas poucas marcas já estão ligadíssimas nessa tendência. A Gucci vendeu uma bolsa na plataforma Roblox pelo equivalente a R$ 21.857,00. Sim, amigues, a bolsa virtual está mais cara do que a real, e foi negociada em Roblux, a moeda da plataforma. A mesma marca já havia lançado um tênis exclusivo virtual. O Roblox reúne 48 milhões de jogadores ativos por dia, segundo o Techtudo.

Metaverso, 5G e a Comunicação nossa de cada dia

Imagem retirada do site da revista Glamour, disponível em: https://revistaglamour.globo.com/Moda/noticia/2021/05/bolsa-virtual-da-gucci-e-vendida-por-preco-mais-caro-do-que-na-vida-real.html

Os exemplos acima não são nem a ponta do iceberg gigantesco que já movimenta as possibilidades de ativação, relacionamento, presença e, principalmente, relevância para marcas nos múltiplos ambientes nos quais estão os seus clientes — atuais e futuros.

E o que eu tenho a ver com isso?

O Facebook, que agora se chama Meta, já anunciou que vai investir US$ 50 milhões. Nvidia, Roblox, Microsoft, Niantic, Unit, Epic Games, Tecent, Magic Leap, Apple e Google também são outras que estão na corrida (se quiser entender melhor como, essa matéria do portal Terra explica mais).

 

 

Metaverso, 5G e a Comunicação nossa de cada dia

Reprodução do site G1. Disponível em: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2021/10/28/o-que-e-o-metaverso-apontado-como-o-futuro-do-facebook-por-mark-zuckerberg.ghtml

Nossas vidas serão impactadas ou sim, ou sim. Ou porque teremos que nos adaptar a novas formas de relacionamento, ou porque estaremos excluídos e, portanto, invisíveis a esta nova realidade.

Nesse sentido, vamos começar imaginando os impactos para a nossa vida como consumidores.

Mas, para podermos fazer isso, precisamos acrescentar a realidade do 5G, que, em algum momento e em alguma medida, vai chegar por aqui com todos os entraves que existirão em consequência do leilão cheio de críticas realizado pela Anatel, a Agência Nacional de Telecomunicações. Recomendo bastante que ouçam a conversa entre o Sérgio Amadeu e a Flávia Lefèvre Guimarães no podcast Tecnopolítica, de 12 de novembro.

Metaverso, 5G e experiência

Apesar dos exemplos citados acima, e de zilhões de outros que mostram que estamos falando de realidade, não de tendência, o que observamos hoje é muita ação pontual. Primeiro, porque as investidas ainda vêm sendo pensadas majoritariamente como campanhas, projetos, com começo, meio e fim. Depois, porque para serem mais imersivas e amplas realmente dependem do avanço da tecnologia, seja para acesso das próprias marcas, seja disseminadas para as pessoas, para que possam consumir e fazer parte dessas experiências.

Pois vamos ao exercício, para vermos como metaverso e 5G afetam estruturalmente a comunicação nossa de cada dia. Você, na condição de cliente ou outro público de relacionamento de uma marca, participa de um evento incrível patrocinado por ela em um metaverso. Saindo dali, precisa resolver um problema qualquer com o produto ou serviço. Para isto, terá que recorrer a um SAC, que opera por processos e jornadas que consideram outros paradigmas de experiência de marca.

O nome disso?

Risco e incoerência.

Como pode a marca X fazer esse tipo de evento incrível e não ser capaz de resolver o meu problema? Eu precisar esperar um prazo Y para ter retorno sobre uma informação? Não pode? Em que medida eu aceito esse desencontro?

Metaverso, 5G e a Comunicação nossa de cada dia

Percebam que essas perguntas não se aplicam somente à percepção direta sobre uma marca, mas afetam TODAS elas. As que estarão presentes nessas realidades virtuais paralelas e as que não estarão, porque a barra de experiência das pessoas vai mudar.

Para discutirmos esse ponto, vamos ao exercício pelo lado da comunicação nossa de cada dia.

Metaverso, 5G e a Comunicação nossa de cada dia

Há algum tempo eu defendi aqui que era necessário retirar a comunicação da subordinação do marketing. Justifiquei minha fala pelo contexto atual e a necessidade de coerência, verdade, reputação e pós-propósito estarem sentados no sofá da sala olhando para nossas caras e esperando o que vamos oferecer para embalar a conversa.

Imaginemos agora que o 5G está aí — e funcionando — e os metaversos são realidade. Temos metaverso para trabalhar, nos encontrar, fazer networking, consulta médica, podemos malhar na nossa academia… Daqui da Montanha, posso trabalhar em empresas do mundo todo, presencialmente, participar de um evento em Londres, fazer uma apresentação na Cidade do Cabo, brincar com meus sobrinhos no Porto, visitar amigos na Gold Coast, correr em trilhas do Nepal.

Metaverso, 5G e a Comunicação Nossa de Cada dia

Em cada experiência, teremos inteligência artificial alimentando minha experiência e conhecendo quem é a Cecília. Em um determinando momento, várias atividades repetitivas do meu dia, como responder contatos iniciais, ler e-mails, ler notícias, pesquisar e categorizar informações para meus projetos, consolidar conteúdos sobre um determinado tema para dar origem a papers ou estudos, dentre outras, poderão ser feitas pelos meus avatares, enquanto eu faço outras coisas.

É a tecnologia tangibilizando a fragmentação, dando vida às Cecis que, hoje, habitam em mim e nas expressões que eu mesma dou conta de desempenhar.

E o quanto estamos preparados para que nossas marcas saibam ser e se manter relevantes se, hoje, negligenciamos intimidade e coerência?

Como trabalhar cultura corporativa e organizacional se sofremos para dar conta do home office?

O que fazer para que o branding transversalize a organização com a comunicação como cultura, e não área de apoio?

Que dinâmicas precisamos aprender para que possamos aproveitar o potencial de produção de conteúdo que já está, mas estará ainda mais, na mão dos públicos, e não das marcas?

São algumas das perguntas que deveriam estar guiando absolutamente TODOS os planos de comunicação 2022.

O que podemos fazer?

É preciso um diagnósitico profundo de cultura e maturidade da comunicação, que seja capaz de identificar incoerências entre discurso e prática; entre discurso, prática e demandas da sociedade; entre discurso, prática, demandas da sociedade e possíveis caminhos. Ainda, trabalhar estruturalmente para compreender como e em que medida esses caminhos afetam o negócio, para que seja possível identificar prioridades.

Assim, a comunicação poderá trabalhar para fortalecer a rede de relacionamento com os públicos, transformando-se em um ativo estratégico. Nada disso, é verdade, faz sentido se não houver investimento nas pessoas.

Quando falamos em metaversos, podemos falar sobre virtualidade, mas creio que com os aprendizados que já acumulamos e com o fato de, hoje, nossa vida ser indissociável da tecnologia, devamos falar sobre materialidade de relações virtuais.

Metaverso, 5G e a Comunicação nossa de cada diaAs experiências no metaverso são reais para as pessoas. Elas sentem, ficam felizes, ansiosas, excitadas, entusiasmam-se e também se frustram. Estamos o tempo todo falando de sentimentos reais, que geram resultados reais, tangíveis.

Portanto, segue sendo sobre pessoas.

Já parou para pensar nisso?

Em breve, vou voltar nesse assunto. E se tiver algo específico que você queira saber, me conta.

 

 

Por Cecília Seabra

Por Cecília Seabra

Jornalista, consultora, mentora, pesquisadora, docente e apaixonada pela Comunicação. Mãe de gente e mãe de bicho. Atuo há 21 anos na área, com experiência que é resultado de passagem por todos os cargos e funções em agência, gerenciamento de crises, além de coordenação e gestão de comunicação e sustentabilidade em marcas líderes nos seus segmentos.

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