Blog da Ceci

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Geração “Fast Forward”

set 2018 | Adaptação, Comunicação, Conteúdo, Inovação, Tendência

Sou do tempo em que a gente usava uma caneta Bic se quisesse fazer Fast Forward ou Rewind na fita cassete. Era uma tecnologia que funcionava mais ou menos assim: retirávamos a tampa da caneta, enfiávamos a sua ponta no meio de um dos dois carretéis de fita e, manualmente, girávamos a fita magnética para frente ou para trás, caso o objetivo fosse adiantar ou voltar até o ponto exato da música que queríamos ouvir. Uma artimanha para driblar a falta de agilidade dos aparelhos de reprodução de áudio, devidamente modernizados com o passar do tempo, mas nada que se compare à rapidez com que as coisas acontecem nos dias de hoje. Vivemos em um mundo acelerado. A Era da Ansiedade. E nada me deixou mais intrigada quanto ler a matéria publicada em O Globo, esse mês, sobre a Geração Fast Forward, que fala sobre como a indústria está lidando com o ritmo frenético dos jovens de consumir cultura.

Para consumir o maior número de informações em menos tempo possível, os jovens estão assistindo a vídeos, séries e filmes no dobro da velocidade normal. A maioria não tem mais paciência para encheção de linguiça. Se o enredo tem cenas descartáveis para o entendimento da história, pulam as cenas, sem cerimônia. E há quem diga que, por conta disso, as salas de cinema já estão virando salas de tortura. Na era dos superestímulo das redes sociais, é preciso captar a atenção do telespectador nos primeiros cinco segundos de exibição ou leitura. Nada de nariz de cera. Delete tudo que você aprendeu na faculdade e vá direto ao que interessa. Nunca a criatividade esteve tão em alta.

Sempre trabalhei com geração de conteúdo e, mais recentemente, tenho me dedicado a escrever biografias. Terá o jovem paciência para ler a trajetória detalhada de um personagem, com todas as suas alegrias e tristezas, com direito a moral da história, no final? Duvido muito. Mas sigo me divertindo e já pensando em como me adaptar ao que já estão chamando de “leitura otimizada”. A mesma reportagem cita que a editora americana Serial Box resolveu tratar livro como tela: “chama roteiristas, que criam cada obra como a temporada de uma série e reproduzem nos capítulos a estrutura de um episódio de TV. Entregam o livro em partes, que chegam via App e só depois são reunidos em papel.” Confesso que não entendi muito bem. E, enquanto existir a assinatura do jornal em papel, sigo acreditando na profundidade das histórias dos livros e na beleza de folhear cada capítulo na era do Kindle. Mas prometo que vou me aprofundar no assunto e treinar o cérebro para essa novidade. Precisamos aprender, cada vez mais, a nos comunicar com essa geração tão distraída.

* Gisele Macedo é jornalista formada pela UERJ, tem 43 anos e atua há mais de 20 como gestora de conteúdo, redatora, roteirista e escritora de livros e publicações institucionais. Apaixonada pela leitura de todo o tipo, sempre gostou de “brincar” com as palavras. Eclética por natureza, adora contemplar um belo pôr do sol, ouvir música, conversar com amigos e estar perto da família. Acha que todo mundo tem uma boa história para contar, mas cada história pode ser contada de mil maneiras…

Por Cecília Seabra

Por Cecília Seabra

Jornalista, consultora, mentora, pesquisadora, docente e apaixonada pela Comunicação. Mãe de gente e mãe de bicho. Atuo há 21 anos na área, com experiência que é resultado de passagem por todos os cargos e funções em agência, gerenciamento de crises, além de coordenação e gestão de comunicação e sustentabilidade em marcas líderes nos seus segmentos.

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