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Discussões sobre tendências, carreira e trabalho em Comunicação, para pensar e discutir

Sorria, você está cancelado (sim, você mesmo, que atua em Comunicação)

mar 2021 | Adaptação, Comunicação, Educação, Estratégia, Imagem, Reputação, Tendência, Trabalho, Universidade

Pesquisa recente divulgada pelo Instituto FSB Pesquisa, da agência de comunicação FSB, com 1.000 executivos brasileiros apontou que não é só no combate à pandemia que nosso país está ficando para trás. Dentre os resultados, a percepção dos entrevistados sobre o nível de preparo das organizações para riscos da atualidade é de 50% para lidar com fake News, o mesmo percentual para enfrentar um cancelamento nas redes sociais e 29% para um ataque cibernético. E isso diz muito sobre nossa Comunicação.

Se considerarmos que fake News são companhias íntimas na nossa vida cotidiana, cancelamento está na pauta do dia e a sociedade recém foi informada de que está exposta após um mega vazamento de dados, o resultado é preocupante. Mais ainda se avaliarmos os outros percentuais da pesquisa: 83% das empresas investem em comunicação e, dentre as grandes, este número sobe para 98%.

Por que, então, essas empresas se sentem despreparadas? Não é objetivo deste artigo responder a essa pergunta, mas sim convidar à discussão sobre como estamos preparando nossos comunicadores para o que é a comunicação nossa de cada dia — e os desafios que temos pela frente. Para além de que estamos todas, todos e todes diante de um contexto totalmente novo (o que em outras eras foi, da mesma forma, possível de ser afirmado), seguimos (des)confortáveis reproduzindo nos currículos das nossas graduações e nas estruturas hierárquicas e funcionais das nossas organizações um modelo que McLuhan talvez concordasse em chamar de “retrovisor”.

É verdade que muito se avançou na comunicação como ciência social aplicada. Entretanto, ainda é possível encontrar na prática instituições e profissionais que falam em públicos interno e externo, comunicação interna e externa, para além das diversas áreas que têm gestões, objetivos e metas distintas e verticais, e que, numa observação a partir da perspectiva estratégica, seriam todas responsáveis pela comunicação.

Assim, prazos corporativos não correspondem a prazos reais, os interesses organizacionais são descasados daqueles da sociedade e dos públicos, ao mesmo tempo em que o Fórum Econômico Mundial elenca como tendência em habilidades e competências do futuro (sempre ele), no seu relatório O Futuro do Trabalho, pensamento analítico, aprendizagem ativa, capacidade de resolver problemas complexos, pensamento crítico, criatividade, capacidade de liderar e influenciar, de monitorar e usar tecnologia no trabalho, resiliência e raciocínio voltado a resoluções. No Brasil, recomenda investimento em aprendizagem ativa, pensamento analítico e criatividade.

Não entrando no mérito dos motivos que levam a essa recomendação, e nem na crítica ao que representa para profissionais à beira do burnout nas suas rotinas 24/7, cabe discutir como estamos preparando nossos futuros comunicadores — e aqueles que aí estão — para lidar com as exigências que encontrarão no mercado de trabalho. Nós, profissionais, nós, docentes, nós, pesquisadores, precisamos seguir o conselho do futuro ex-presidente da empresa de capital aberto que tem como maior acionista a União: mind de gap, cuidado com o vão. Ou corremos o risco de vivermos em nossas bolhas, sermos atropelados pelo contexto, ou sermos cancelados dentro de muito em breve.

Por Cecília Seabra

Por Cecília Seabra

Jornalista, consultora, mentora, pesquisadora, docente e apaixonada pela Comunicação. Mãe de gente e mãe de bicho. Atuo há 21 anos na área, com experiência que é resultado de passagem por todos os cargos e funções em agência, gerenciamento de crises, além de coordenação e gestão de comunicação e sustentabilidade em marcas líderes nos seus segmentos.

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