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Discussões sobre tendências, carreira e trabalho em Comunicação, para pensar e discutir

A notícia saiu há dois meses, mas o estudo que comprova o fato remete há anos: vale muito a pena investir em branded content.

Branded content é conteúdo de marca, mas não qualquer conteúdo. Ele precisa estar relacionado ao contexto da marca, ao seu “universo”, aos elementos identitários, de posicionamento, branding para, então, poder estar a serviço de um objetivo, que pode variar desde awareness até algum tipo de conversão. Ou seja, é preciso estratégia de marca.

E por que é preciso estratégia de marca?

Idealmente, é importante que esses projetos façam parte de uma estratégia, mas a gente sabe que nem sempre é assim que acontece. Então, aqui vão algumas recomendações para ajudar nas atualizações dos planejamentos.

1) Relevância à prova a todo momento

Quando a gente trabalha muito tempo em uma realidade específica, é normal que a repetição diminua a nossa capacidade crítica. Três perguntinhas podem nos ajudar a recuperá-la:

  • Em que medida a organização em questão tem a contribuir para o assunto a ser divulgado?
  • Como essa contribuição difere das demais fontes que podem falar sobre o tema?
  • Em que elementos da estratégia de conteúdo vamos apoiar nossa divulgação?

Não adianta investir esforços e recursos em comunicação sem um posicionamento definido. Publis e espaços para publicação de conteúdos que são decididos de forma aleatória são um desperdício de recursos e do tempo de trabalho das equipes.

Por isso, vale revisar o que há de ações em curso e aproveitar o fim do ano para arrumar a casa.

Confira os resultados obtidos e estabeleça um parâmetro para continuidade, transformação ou mesmo o descarte de ações que dão muito trabalho e pouco resultado.

2) Geração de valor

Como estão objetivos e indicadores da comunicação, e em que medida estão conectados à estratégia de negócios?

É raro ver um C-level que reconheça a comunicação como área estratégica, e não de apoio. E muito da responsabilidade por isso está na maneira como medimos resultados: relevantes para a área, mas não para a organização.

Neste ponto, é fundamental ativar a interdependência e pegar emprestado o seu significado lá da Biologia, do conceito de ecossistema. Percepção de marca (imagem) está ligada à coerência e consistência.

Você não acha que virão só do trabalho da equipe de comunicação, acha?

3) Na cultura, a estratégia

Peter Druker disse que a cultura mata a estratégia. Pois não precisa ser assim.

Quanto mais houver cultura de comunicação, maior é o ganho (e a parceria para executarmos nosso trabalho).

Reputação, nesse contexto, passa a ser estratégia, não consequência. Para isto, não basta uma boa comunicação enquanto área técnica, mas a sua incorporação como soft skill e algo de hard a todos os funcionários, como parte dos programas de T&D.

4) Conheça seu público

Todas as grandes empresas de comunicação (Globo, Folha, Estadão, entre outras) têm divisões dedicadas a soluções para as marcas, dentre elas o branded content. Significa dizer que não precisamos estar obcecados com o que fazer, pois os especialistas vão propor soluções incríveis para nossas demandas.

A obsessão precisa estar em conhecer o público. Do funcionário ao suspect, o quanto você consegue compreender essas pessoas a ponto de criar conversas que despertem suas atenções, sejam reconhecidamente úteis para o que buscam e estejam alinhadas à identidade e ao posicionamento da marca?

Não se trata só de um exercício de empatia e escuta ativa, mas de transcender o universo da marca e inseri-lo no “mundo lá fora”, no que é de interesse público, no que preocupa a sociedade e que, obviamente, possa ter na sua marca uma contribuição relevante.

Tendência não vale sem estratégia

É uma lástima que tão poucas marcas tenham o branded content e o próprio conteúdo, produzido ou produto de (boa) curadoria, como parte das suas estratégias, da mesma forma que ainda são poucas as que verdadeiramente se apropriam dos seus canais proprietários.

Vale sempre lembrar que comunicação é para todo tamanho de negócio, e que o antes tarde do que mais tarde é fundamental para potencializar investimentos e poupar esforços.

Como a gente pode ver, tendência é uma palavra que, cada vez mais, remete ao presente, seja porque já está em prática e provavelmente só não tinha ainda chegado até você, ou porque é preciso agir já, é preciso estratégia de marca para aproveitar o que há de oportunidades.

 

Por Cecília Seabra

Por Cecília Seabra

Jornalista, consultora, mentora, pesquisadora, docente e apaixonada pela Comunicação. Mãe de gente e mãe de bicho. Atuo há 21 anos na área, com experiência que é resultado de passagem por todos os cargos e funções em agência, gerenciamento de crises, além de coordenação e gestão de comunicação e sustentabilidade em marcas líderes nos seus segmentos.

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